Pour quoi ai-je menti au facteur ?

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Lundi après-midi. Il y avait du soleil, mais il faisait froid. Bientôt Noël, je décide de prendre mon vélo et d’aller acheter les cadeaux des bébés de la famille dans un magasin situé dans un quartier inconnu de la ville. Je regarde le chemin rapidement sur Google maps et pars sans plus hésiter. Déjà en sortant du centre-ville je me perds. Je prends un petit chemin en terre que longeait des jardin communaux. Arrêté dans un coin de ce sentier, un bonhomme âgée de la cinquantaine me dit un « Bonjour » bizarre. Comme m’a-t-on toujours appris, je baisse la tête et continue mon chemin sans dire rien. Je ne tarde pas à me rendre compte que le chemin ne menait pas vers le quartier inconnu, mais vers une autoroute. « Hé, merde ! Je dois faire demi-tour et repasser devant le monsieur du bonjour ». À ce moment, je baisse encore plus ma tête, en évitant son regard de possible tueur-violeur de femmes.

Ma mère m’a appris : quand tu es perdue, suis le flux ! C’est grâce à ces sages enseignements que j’ai suivi les bonhommes en gilet fluorescent qui filaient sur leurs vélos vers une route qui, finalement, menait vers le quartier inconnu.

Route principale, quartier inconnu. Je savais que, à un moment donné, je devrais tourner à droite et que, quelques centaines de mètres après il y aurait un parc. Je tourne à droite. Je roule, je roule, pas de parc. Zone industrielle, presque déserte. Hommes, hommes, hommes, les seules personnes que je croisaient étaient des hommes. Pas possible de demander des informations : il fait bientôt nuit, je suis perdue, ce quartier est vide. Danger, danger.

Soudain, une camionnette de la poste. Le facteur sort d’un bâtiment. Je lui demande : « s’il vous plaît, savez-vous où se trouve le magasin pour acheter les cadeaux pour les bébés de la famille ? ».  « Je ne sais pas, mais je vais demander à l’intérieur ». Quelques instants après : « il se trouve à coté de l’Hyper-marché du quartier inconnu ». Je lui explique que le quartier inconnu est, pour moi, inconnu et que je n’ai aucune idée d’où aller pour trouver l’hyper marché. Il me donne quelques consignes à suivre pour trouver mon chemin. Je le remercie mais, avant que je parte, il me demande : « Vous avez un petit accent… êtes-vous Allemande ou Hollandaise ? » Je réponds, après une demi seconde d’hésitation : « Allemande ».

J’aimerais bien pouvoir décrire tout ce qui s’est passé dans ma tête pendant cette demi seconde : agression à Paris par un groupe d’hommes qui ont très vite remarqué que moi et ma copine étions étrangères. La vie de tous les jours et ses commentaires : « Brésilienne ? Alors danse un peu la samba pour moi ». « Brésilienne, alors tu porte des strings ». « Brésilienne, alors t’es plutôt brésilien, n’est-ce pas ? ». « Comment ça brésilienne, vous êtes blanche ! ». Presque nuit, toute seule, rue, désert, homme inconnu, question sur ma nationalité. Non, je ne peux pas lui dire. « Allemande », grand sourire. Et la peur, toujours la peur, maintenant la peur de qu’il me parle en allemand ! Oui, je prends bien des cours d’allemand, mais n’importe quel germaniste reconnaîtrait mon niveau débutant dès ma première phrase.

Il me répond, grand sourire aux lèvres : « Eh ban, moi j’apprends l’allemand, mais c’est une langue très difficile… ». Je souris, soulagée et, en mettant mes pieds sur la pédale : « Oui, c’est vrai que ce n’est pas facile ». Le bonhomme me dit : « Mais j’imagine que le français ne doit pas être facile pour vous non plus… ». Réponse automatique : « En effet, ce n’est pas évident. Je vous remercie pour l’information, au revoir ».

Coeur coupé, je viens d’être impolie. Mais je ne pouvais pas risquer, trop dangereux, le danger est partout. Je suis le chemin, en regardant de temps en temps la route pour être sûre de n’être pas suivie. En arrivant au cœur du quartier inconnu, je trouve une dame, qui rentre à la maison avec ses enfants. Elle ne parle pas très bien le français, mais elle a pu m’expliquer comment trouver le magasin où acheter les cadeaux pour les bébés de la famille. Pour les femmes, pas besoin de mentir.

Post scriptum : Monsieur le facteur, vous m’aviez semblé être quelqu’un de tout à fait honnête et gentil. Moi aussi j’apprends l’allemand et je suis sûre que nous partageons les mêmes difficultés dans l’apprentissage de cette langue. Dans le monde idéal, j’aurais pu vous parler encore quelques minutes, nous aurions pu échanger nos expériences linguistiques et, peut être, quelques banalités sur la météo. J’écris ce texte parce que vous avoir menti me laisse honteuse de mon mensonge, de mes peurs, mais surtout de notre société, des préjugés envers les femmes, les étrangers mais aussi envers les hommes. Entschuldigung.

Larissa Dauve Flor

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Os olhos de minha filha

 

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Os olhos de minha filha

São pocinhas de travessuras

Esperando a festa das bruxas

São pocinhas de mel

Esperando a divisão de morangos e merengues

São pocinhas de pedidos

Quando falam dos seus sonhos

São pocinhas de chuva

Quando injustiça se lhes vem

São pocinhas de esmeraldas

Quando falam dos amigos

São pocinhas de mar

Quando refletem a beleza de mais um dia

São pocinhas de carinho

Quando querem cócegas

São pocinhas de nuvem quando falam do futuro

São poções de tudo

Para mim, que os contemplo.

 

Maristela Elicker Dauve

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Nascer

Hoje eu nasci e as orquídeas floriram

Hoje eu nasci e o café queimou minha língua

Língua de flor

Pronta para beijar o néctar dos teus pensamentos

Num exercício imaginário

Voando sobre a cabeça

Aterrissando sobre um chão de flores brancas

Com perfumes noturnos

depois da alquimia dos pensamentos

Tudo existe só por que eu nasci

Orquídeas brancas na janela

Um beijo sagrado na boca

Maristela Elicker Dauve

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Desprofessorar…

Quero ser desprofessora
Quero desensinar
Partilhar tudo aquilo que não sei
Que provavelmente não existem certezas
Que nada é certo
Compartilhar achismos e sonhos
Que são os propulsores de um novo amanhã
Que precisamos de novos olhos.
1 ano depois de ter escrito isso, descubro Barthes:
“ há uma idade em que ensina aquilo que se sabe. Vem em seguida, uma outra, quando se ensina aquilo que não se sabe. Vem agora, talvez, a idade de uma outra experiência: aquele de desaprender. Deixo-me então, ser possuído pela força de toda vida viva: o esquecimento”.

maristela elicker dauve

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Fugas, Certeza e Sensibilidade…

Já se entendeu o estudo teórico como um fornecedor de sentido na vida dos que a ele se dedicam. Também se propaga a idéia de que os teóricos e cientistas são pessoas com QI e sensibilidade elevados. Mas aos poucos percebem que a teoria e a ciência podem ser espaços negativos de fuga das coisas que os cercam. A ciência serve como fuga do outro interior (espaço positivo de fuga) é um porto seguro para ignorar a própria reserva de sensibilidade. (…) A ciência afasta-nos de nosso autêntico ser, na medida em que nos impede de duvidar. Tudo é certo, verdadeiro e objetivo. Pretende impor verdades como se fossem de todos e termina, por certo, impossibilitando-as de serem verdades de alguém. (…) Primeiro eu quero advertir que a procura da verdade , nos termos que a ciência mecanicista coloca, é por si mesma violenta. É uma forma de manipulação do mundo e dos outros. E não importa que tentemos distinguir entre verdades como correspondência fática e verdades como interpretação. Ambas são manipuladoras. Os sentidos do real não podem ser encontrados construindo discursos, pois o real é um fluxo constante, ninguém sabe o que vai acontecer, ninguém pode predizer o real. Ele é imprevisível.
Luiz Alberto Warat, in O Ofício de Mediador.

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O Outro e a unicidade

Apreciar a diferença!

Apenas uma vez, a unicidade de uma pessoa – você só existe uma vez, e só uma vez você.

O início da jornada espiritual é o reconhecimento, a real convicção interior, de que há uma força superior, ou Deus. Ou para facilitar de que há um Outro , com um “O” maiúsculo; segundo passo: tentar se tornar o Outro; e depois, o reconhecimento de que não há Outro.

Você e o Outro são um só.

Sempre foram

Sempre serão.

Deepak Chopra

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Transmutação

Sempre chega o momento (ainda bem!), em que nossas respostas não bastam, não chegam, não servem.

Sempre chega o momento em que todo conhecimento tecido em teias, por longos anos de acúmulo, observação e conexão, responde coisa nenhuma.

Sempre chega o dia, em que nada que já lemos, vimos, ouvimos ou intuímos, pode matar a sede do por quê?

Esse é um dia sagrado. É um dia de transmutação.

É um momento de nos descascarmos de certezas, crenças, sabedoria e erros tomados como certos.

Elevar-nos um degrau acima na aceitação da própria impotência.

Maristela Elicker Dauve

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O inconsciente para Jung…

Sobre o inconsciente Jung escreveu: “Assim definido, o inconsciente descreve
um estado de coisas extremamente fluido: tudo o que sei, mas que no momento não
estou pensando; tudo aquilo de que antes eu tinha consciência, mas de que agora
me esqueci; tudo o que é percebido pelos meus sentidos, mas que não foi notado
pela minha mente consciente; tudo aquilo que, involuntariamente e sem prestar a
atenção, sinto, penso, recordo, quero e faço; todas as coisas futuras que estão
tomando forma em mim e que em algum momento chegarão à consciência: tudo isto
é o conteúdo do inconsciente.” Jung dizia também que “a consciência não se cria a
si mesma; emana de profundezas desconhecidas.”

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as mãos de meu filho

Nas mãos de meu filho

Vejo meu pai

Vejo  a mim

Vejo a ele

Suas pequenas grandes mãos

Vejo um filhote brincando e acarinhando

Gosto de espalmá-las contra as minhas

Como são perfeitas!

Podem tocar tudo

Até o futuro, o amor, a paz e a concórdia entre os povos

Trazem tantas certezas e promessas…

São as mãos do amor…

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨*

O amor nunca volta vazio

Ele volta tão carregado de bem

Que se arrasta pelo caminho

Por isso ele demora

E só vai chegar naquele dia

Em que você estiver cuidando do jardim

Todo enlameado e distraído

Aí sim, você levanta o olhar e bum!

Lá estará a mão que caberá perfeitamente junto da sua.

maristela elicker dauve

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” sou todos os pássaros e toda canção!”

“Sou um garoto rastejando pelo jardim, com uma espingarda carregada. Tenho muito orgulho por ser um grande caçador. Vejo um pássaro num galho bem alto de uma árvore. Aproximo-me furtivamente do pássaro, embevecido pela beleza de seu canto. Ainda tremendo de excitação, levanto a espingarda para dar o meu tiro num ser vivo. Puxo o gatilho.

Sou atingido no pescoço, no meio da minha música. Caio no chão, mas antes mesmo do meu corpo ter chegado ao solo eu já estou livre, voando em direção a uma arvore que irradia uma luz trêmula para ali, terminar o meu canto. Minha alegria é maior, agora, pois aqui não existe o medo. “Sou todos os pássaros e toda canção.”

Michael  J. Roads , in, “a natureza e o despertar de seu mundo interior”…

 

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